TextUploader.com GravatarCreate an Account Login · Password Home textuploader.com/6s1s Posted on: 12/20/14 3:16:56 AM UTC "NEVE CODE" - VIEWS: 2,950 · HITS: 2,950 - TYPE: PUBLIC Revisions (0) Report Abuse

sábado, 25 de fevereiro de 2012

O beijo

As pessoas que estudam costumam desenvolver uma maior capacidade de compreender o mundo, de saber falar e escrever corretamente sobre múltiplas realidades.
Ricky, decidiu envolver-se nos estudos das ciências sociais e na escrita de artigos científicos na área da micro sociologia. Era um observador participante naquele bairro. Certas leituras eram para ele como escrituras, o facto de não ainda não ter encontrado na sua aturada pesquisa documental artigos sobre pessoas e seus comportamentos nos transportes seria uma tremenda pecha para o conhecimento científico. Sem brilhantismos, era um homem aplicado, ainda que no meio da solidão dos livros e pixeis. A rotina do trabalha e estuda estava prestes a ser quebrada por uma saída e naquela ocasião com uma rapariga chamada Tracy, que tinha rosto longo de tez pálida. Tinha a tendência para se mostrar-se lacónica em muitos dos seus gestos, até porque não acompanhava os temas entediantes de conversa dados por Ricky. E havia também dificuldade em puxar assunto. Foi na inauguração da loja dos chineses que se conheceram.
O ponto de encontro,  naquela tarde foi a porta do talho do Rofy, onde depois rumariam sem caminho, nem destino pré-definidos.
O primeiro contacto foi normal, o cumprimento com dois beijos no rosto. De seguida: um comentário sobre a hedionda cabeça inteira de um porco na montra. Durante aquelas voltas ao quarteirão ele retratava toda as politicas de transportes da cidade, as marcas dos autocarros, o que eles consumiam, etc. Tracy, comentou logo, que não é possível uma pessoa ligar tanto a autocarros quando outras coisas seriam bem mais interessantes. E o homem teimava, e sobretudo insistia para que ambos fossem dar uma volta de autocarro num percurso que era por sinal lhe peculiar. Foi com dificuldade que ela acedeu àquela proposta.
Na paragem, esperaram uns minutos pelo aparecimento do veículo, e quando este ocupa realmente o quadrante da paragem, Tracy diz: - Estás ver, lá por ser um Mercedes, é apenas um autocarro e estas pessoas, não têm nada demais.
Ricky frustrado, quase a chorar porque a sua companheira não compreendia que ele estava perante uma nova maneira de se fazer ciência em espaço urbano. Desata logo, a citar autores de diversas bibliografias por ele consultados no decurso da investigação. E numa nova réplica, veio uma resposta: - ok, mas fora esse trabalho, um autocarro é uma coisa sem qualquer importância.
Já enervado, tentando esconder a sua tamanha ira, o nosso homem diz: - Mas este autocarro é aquele que me leva todos dias à casa da minha mãezinha. E garanto-te que nunca avariou.
Tracy: - Oh homem, se não fosse este, seria um outro qualquer, o que isso importa?
Ricky: - Também nos podemos apaixonar pelos objectos!
Tracy: Não sei como?!
Então Ricky, apenas responde: - Assim… – dando um beijo repenicado na chapa lateral do autocarro. Logo de imediato, Tracy despede-se com a seguinte resposta: - Tarado e anormal do caralho!

Pecado: Quando Tracy disse que o autocarro não tinha qualquer importância, Ricky poderia logo focalizar-se nela deste modo: - Claro que sim, sabes o que é importante? “Tu e eu” abraçados um ao outro a dizer palavras bonitas. - Depois disto, darem longos beijos e serem felizes.

Sin In

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