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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Os biscoitos

Ricky, tinha andado constrangido, ora porque via os seus amigos com lindas namoradas ou porque não sabia o que fazer para ser agradável. Aquela tarde fria e solarenga, entrevia renovadas esperanças: Alguma coisa poderia mudar. A sua amiga colorida Litty estava prestes a ir a sua casa. Ele terminava os preparativos do lanche ao colocar os biscoitos da vizinha numa elegante travessa. Quando a sua amada chegasse, Ricky preparava-se para mentir ao apresentar-se como o grande mestre pasteleiro do Bairro. A artimanha seria o de impressionar sem exuberâncias, procurar ser o mais natural possível. Para isso teria de ser meticuloso, porque o espaço de informalidade exige bons artifícios.
A campainha toca duas vezes interpoladas por 5 segundos, a porta é aberta, uma luz acesa, e Litty entra no apartamento. O diálogo travado foi um lugar-comum: se foi fácil ou difícil chegar à rua, se o elevador ainda cheirava a óleo, etc.
Após alguns minutos o tema de conversa eram comentários a fotos digitais de férias e viagens passadas.
Para o lanche, não se pedia muito, apenas a eficiência de um fervedor elétrico e pouco mais. Litty hesitou entre entre provar ou não os biscoitos. Perante o vai ou não vai, Ricky solta um alerta imperativo: - Come, foram feitos por mim, ainda há pouco. Todos gostam destes biscoitos aqui no Bairro.
A rapariga comeu, ficou pasmada, elogiou, não deixando de repetir algumas vezes. Ricky começou a recear a pouca quantidade oferecida à distinta visita , então enfia-se na cozinha e traz uma réplica da primeira travessa. Nesse lapso de alguns breves minutos Litty, já tinha colocado mensagens nas redes sociais, todas e à entrada do dono da casa, pedia licença para um telefonema, era para dar notícia da suprema alegria de ter degustado o manjar dos deuses! A seguir ao telefonema para a melhor amiga seguiram-se mais uns quantos, até veio a implosão de um pedido:  a receita para publicar no jornal regional da terra de sua mãe.
Ricky esbaforido, indeciso, decidiu pedir alguns minutos para escapar discretamente pelas escadas de serviço para a casa da vizinha. Mas esta desta vez não estava em casa. Uma senhora dos seus 50 e muitos anos que vivia com os seus sobrinhos.
Porém a fase aguda do desespero findou com uma frase simples, repetida tanto nos dias d’ hoje: - Agora não a tenho aqui. Deve estar nalgum ficheiro do pc, mas depois com calma, envio-te para casa, mais logo.
Ainda foi pensado que a jovem mulher pudesse mudar o "disco", quando se soltou mais uma frase de espirito aguçado: - Oh Ricky, amanhã venho cá e tu ensinas-me a receita. Ele desculpou-se logo com a visita a uma pessoa querida que estava doente num lar ali perto. Mas como a contenda não pedia fim sem uma data fixa. Lá foi marcado o dia.
Naquela semana parecia que se tinha inaugurado a confraria do biscoito, onde todos os amigos do facebook tinham na sua agenda um convite para um evento em plena rua.
Litty, não queria vendas e cismou que  para a absoluta perfeição da execução da receita jamais se deveria mudar de forno.  Ora Ricky, para escapar á vergonha da verdade, o forno de sua cozinha nem estreado tinha sido, pediu a uma sobrinha da vizinha, também ela prática nas lides da doçaria para o ajudar, em termos práticos, mentais e econômicos, porque a brincadeira já caminhava para o balúrdio. Ricky, pensou para sim mesmo: - invisto nesta palhaçada de merda de montes de bolos para todos os gulosos da cidade... Enquanto o falso mentor do projecto se mantinha em contacto com os glúteos de Litty, a vizinha-amiga trabalhava freneticamente sem que Tracy a deixasse de a olhar discretamente. Era uma rapariga dos seus 27/28 anos que se apresentava de calças de fato treino, com um peito enorme coberto por uma camisa de flanela. Era a fase crucial da alquimia gastronômica, onde toda a concentração jamais poderia escapar ou  então cessar...
Litty começou a desejar com furor sexual a vizinha do andar de cima, cujo nome finalmente vou revelar: Tessy. Há uns meses tinha a encontrado no café do Zé Padogy, nesse dia tinha levado uma saia justa onde se fazia notar alguma celulite. Tessy tinha namorado, daí não haver volta a dar. Até que apareceu Ricky… e tudo de manteve em banho-maria até aquele dia.
Quando Litty sentiu o pénis hirto, molhado de Ricky encostado à sua saia, fingiu-se excitada ao máximo e levantou a mesma. Nesse momento Ricky recorda as memórias de Iriny, que esperou sexo e acabou por ter que acelerar um carro até este bafejar toda a sua água. Aquele momento seria a oportunidade de ser um macho, o tal que não pode deixar escapar a presa. E começaram selvaticamente, contra o tampo de mármore do armário a fornicar. Tessy apresentou-se furiosa, tentando ainda gritar, a clamar por juízo. Nada resultou. Passou ela própria a sentir-se húmida. Não demorou muito que a mão de Litty começasse a estimular o clitóris da parceira de Ricky. E soasse a frase: - Estás aí com o teu namorado, mas ele não está aqui... eu é que te mimo esse grelo!
Foi num ápice que Ricky foi empurrado e viu as duas mulheres a se beijarem e dizerem: - Agora sem o gajo aqui, é que iremos ter o nosso (verdadeiro) orgasmo.

Pecado: Ricky deveria ter dito que tinha comprado os biscoitos no fim do mundo, nem mencionar qualquer nome de local ou zona. E perante tanto elogio, apenas dizer: - Olha o gajo que fez esta receita sofre de colite e entre nadas corre sempre para a sanita para ir cagar. Estes biscoitos por acaso até cheiram bem, não achas?

Sin in

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